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Parte da base bolsonarista em Minas pode não seguir com o presidente para o PL

Analisando a viabilidade eleitoral em 2022, alguns aliados de Bolsonaro devem migrar para outros partidos ou permanecer no PSL, agora União Brasil

Rastro101
Com informações do site O Tempo

09/11/2021 por Redação

Divulgação/O TempoDivulgação/O TempoUma parte dos deputados aliados a Jair Bolsonaro (sem partido) em Minas Gerais pode não ir para a mesma legenda do presidente - que deve anunciar sua filiação ao Partido Liberal (PL) nos próximos dias. O motivo é o cálculo feito por alguns parlamentares sobre suas chances ao tentar a reeleição em 2022. Apesar de manter apoio a Bolsonaro, eles avaliam que em outras siglas terão maior viabilidade eleitoral. 

É o caso da deputada federal Alê Silva (PSL), que é muito próxima do presidente, mas já anunciou que não deve acompanhar o mesmo partido do mandatário. Ela optou pelo Republicanos, de quem teria recebido um convite ainda no início do ano e já acertou sua filiação tão logo seja formalizada a fusão do PSL com o DEM, criando o União Brasil. A fusão das siglas abrirá as portas para a saída de deputados insatisfeitos dos dois partidos.

Entre os 53 deputados da bancada mineira, Alê Silva foi uma das que teve menos votos na eleição passada, sendo beneficiada por colegas do PSL que tiveram uma votação expressiva, como Marcelo Álvaro Antônio e Cabo Junio Amaral. Dessa forma, ela acredita que pode não ser inteligente a filiação de todos os bolsonaristas em um mesmo partido.

“Nós temos que observar as configurações das legendas em cada Estado. Então, de repente, não é interessante que todos os deputados bolsonaristas de um determinado Estado sigam para a mesma legenda. Afinal de contas, nós temos o coeficiente. E aí, como é feita uma série de cálculos, eu não devo seguir para o mesmo partido. Mas continuo o apoiando, continuo apoiando aqui na Câmara e vou fazer campanha para ele no ano que vem do mesmo jeito”, explicou a parlamentar.

Já o deputado Cabo Junio, que também é muito próximo do presidente Bolsonaro, disse que precisa avaliar como ficará a composição do PL em Minas antes de decidir qual será seu destino partidário. “Eu não posso cravar essa migração sem antes entender quais serão as diretrizes, como vai ser essa composição e como que a situação em Minas vai ficar. Ainda preciso avaliar essas questões para poder cravar”, disse.

Mas, questionado se teria alguma objeção ao PL, Cabo Junio disse que nenhuma e que tem bom trato com os deputados do partido na bancada de Minas. “No caso do PL, temos a figura do Zé Vítor que já é um apoiador do governo e o Lincoln Portela que é um conservador, se posiciona como a gente e é um aliado do presidente Bolsonaro. Então, a gente fica, em alguma medida, confortável para migrar”, relatou. 

O deputado Léo Motta também ainda não definiu se deve ou não acompanhar o presidente Bolsonaro. Ele afirmou que deve aguardar o anúncio oficial do chefe do Executivo e que está estudando os cenários. “Eu ainda não defini porque não houve reunião prévia, ele (Bolsonaro) ainda não se filiou e eu não sei exatamente. Existe mais de uma possibilidade (de partido ao qual o presidente pode se filiar). A gente sabe qual é a maior probabilidade, mas ela não se concretizou ainda e eu não tenho um posicionamento”, disse. Questionado se existe alguma chance de que ele permaneça no PSL, partido com o qual o Bolsonaro rompeu após um desentendimento com o presidente da sigla Luciano Bivar, o deputado não disse nem que sim nem que não e respondeu apenas que “está estudando o cenário”.

Aliado de Bolsonaro na Câmara de BH deve aguardar definição

Outro político muito próximo de Bolsonaro e que ainda não cravou a ida para o PL é o vereador de Belo Horizonte, Nikolas Ferreira (PRTB). Ele é cotado para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados no ano que vem e disse que seu compromisso com o PRTB ao se filiar para concorrer ao Legislativo de BH era de migrar para a sigla do presidente assim que houvesse uma definição. 

No entanto, desde o anúncio de Bolsonaro acerca da provável filiação ao PL, ele ainda não conversou com os dirigentes partidários. “Desde o começo, o meu combinado com o PRTB era de que eu iria para o partido do presidente. Até então, eu não tive nenhuma conversa com o PL ou com o PRTB após essa definição do presidente. Então, vou aguardar”, disse. 

Parte da ala mais ideológica vai seguir Bolsonaro

Em contrapartida, alguns deputados mais próximos da pauta defendida pelo presidente já anunciaram que vão com ele para o PL, ou para qualquer outro partido de sua escolha. É o caso do deputado federal e ex-ministro Marcelo Álvaro Antônio (PSL) e dos deputados estaduais Bruno Engler (PRTB) e Coronel Sandro (PSL).

Além de acompanhar o presidente, Marcelo Álvaro disse ainda que tem boa relação com o PL em Minas, partido ao qual já foi filiado no passado, assim como o próprio Bolsonaro. “Minha relação com o PL em Minas é muito boa, inclusive, caso se confirme a filiação do presidente, estou retornando ao PL, zero objeção com a direção do partido em MG, muito pelo contrário, tenho apreço por todos”, disse.

No mesmo sentido, o deputado Bruno Engler, que é presença constante nas lives do presidente às quintas-feiras, reforçou o que já havia dito inúmeras vezes anteriormente:. Eu sempre disse que eu vou aonde o Bolsonaro for e continua sendo assim: aonde o presidente se filiar, eu também vou me filiar. Caso se confirme esse acerto com o PL, que está muito bem encaminhado, eu também vou estar migrando para o PL, disse.

O deputado Coronel Sandro também afirmou o mesmo. “Em relação ao PL, se for a escolha do presidente, eu sou soldado do presidente. Eu vou aonde ele estiver”, disse. Tanto ele quanto Engler disseram manter ótima relação com o PL e os colegas do partido na Assembleia em Minas, de modo que não há qualquer ressalva deles à sigla. 

União Brasil deve ficar com fatia dos bolsonaristas

Outra parte dos deputados estaduais e federais eleita na esteira do efeito Bolsonaro em 2018 deve permanecer no PSL, que já anunciou sua fusão ao DEM na formação do União Brasil - partido que terá o maior fundo eleitoral e o maior tempo de televisão em 2022. 

Na Câmara, esse é o caso do deputado Charlles Evangelista, que ainda não bate o martelo, mas tem como principal opção a permanência no PSL. “Minha ideia é ficar (no PSL), mas ainda não estou definido. Ainda não conversei com o presidente do PL, não tem nada definido”, disse. Ele também deve analisar como ficarão as chapas de cada partido antes de fechar questão sobre o tema. 

Já na Assembleia, um número maior de parlamentares deve permanecer no PSL, caso dos deputados Delegado Heli Grilo, Professor Irineu e Delegada Sheila. Essa última disse que tem um projeto para atrair mais mulheres para o PSL e quer continuar. “Pretendo permanecer porque estou desenvolvendo um projeto muito importante de formação de lideranças femininas na presidência estadual do PSL Mulher e não gostaria de interromper”, disse.

Os outros dois não cravam a permanência na sigla, mas pensam em continuar no partido pelo qual foram eleitos. “Eu ainda não tenho essa decisão, mas provavelmente devo ficar”, disse Heli Grilo.

A reportagem tentou ouvir o deputado federal Delegado Marcelo Freitas (PSL) e o deputado estadual Coronel Henrique (PSL) para saber se pretendem mudar de partido com o presidente Bolsonaro, mas nenhum dos dois retornou às ligações ou respondeu às mensagens. 

 

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