
Ancelotti expõe dúvidas para Copa do Mundo e diz que Lucas Paquetá pode ser chamado
Quando muita gente esperava que a convocação mostrasse uma espécie de espinha de time consolidado, Carlo Ancelotti escolheu o caminho contrário. Para os amistosos contra França e Croácia, dias 26 e 31 de março, na última convocação antes da lista final para a Copa do Mundo, o técnico italiano lançou mão de nada menos que oito nomes que nunca havia chamado.
E que bom que Ancelotti escolheu esse caminho. Mesmo que possa passar a impressão de incerteza, é preciso sempre lembrar que o Mundial acontece em um recorte de tempo muito específico, portanto é compreensível que se deixe a nominata final aberta, esperando para ver quais jogadores estarão voando às portas da última chamada. O Brasil estreia na Copa do Mundo em 13 de junho, contra o Marrocos. A última convocação acontece em 18 de maio.
Entre as novidades, os atacantes trazem alguma energia vital. Talvez nem estejam na Copa do Mundo, mas Endrick (Lyon), Rayan (Bournemouth) e Igor Thiago (Brentford) foram convocados como reflexo imediato do que andam fazendo em campos europeus. Centroavante surgido no Cruzeiro, Igor Thiago, 24 anos, é nada menos que vice-artilheiro da Premier League, com 18 gols, atrás apenas de Haaland. Faz bem à Seleção dispor de jovens com tamanho potencial explosivo, como Endrick e Rayan -- não é aposta no imponderável, mas considerar a urgência do momento.
Endrick comemora gol do empate em Celta x Lyon
REUTERS/Miguel Vidal
Carlo Ancelotti também fez questão de salientar que só pretende convocar jogadores que estejam em plenas condições físicas. Assim, respondeu à inevitável pergunta sobre Neymar, para quem deixou as portas abertas para a última convocação, mas por tabela também coloca todos os nomes chamados em estado de alerta. Recuperando-se de lesões, Militão, Bruno Guimarães e Estêvão são nomes que provavelmente vão estar na lista final.
Também foram chamados pela primeira vez por Ancelotti, no setor defensivo, Bremer (Juventus), Ibañez (Al Ahli) e Léo Pereira (Flamengo), além dos meio-campistas Danilo (Botafogo) e Gabriel Sara (Galatasaray). A lembrança ao nome de Léo Pereira é justificada pela regularidade do defensor, o melhor zagueiro do melhor time do país, enquanto Gabriel Sara vem sendo um dos destaques do time turco na Liga dos Campeões.
CArlo Ancelotti na coletiva de convocação da Seleção
André Durão
O técnico, aliás, deu a entender que pretende levar nove defensores para a Copa -- quatro laterais e cinco zagueiros, que inclusive podem se revezar em ambas as funções. E isso permite cogitar que os laterais, historicamente um emblema da Seleção, neste Mundial devem ter um comportamento muito mais conservador. Em termos de conceito, pode ser um acerto: além de serem nomes que não remetem aos grandes expoentes da posição, também liberam os atacantes de lado de tantas atribuições defensivas.
Entende-se que a essa altura, faltando menos de cem dias para a Copa do Mundo, exista clamor para uma definição sobre a nominata final da Seleção. Afinal de contas, a torcida quer recitar de cor os nomes responsáveis pela busca do Hexa e os álbuns de figurinhas precisam ser produzidos. Mas o esforço de Carlo Ancelotti em buscar novas perspectivas, mais do que válido, é necessário: o ciclo atribulado da Seleção Brasileira para esta Copa do Mundo não permite mais espaço para erros.
Ana Thaís elogia convocação da Seleção de Ancelotti: “Gostei das novidades”