Divulgação/Notícias ao MinutoCerca de 2,3 milhões de eleitores estão inscritos para votar nestas eleições presidenciais, legislativas, municipais e regionais, o que podem fazer entre as 05h00 e as 17h00 TMG, e quando tudo parece ter sido programado para permitir que Touadéra, 68 anos, vença logo na primeira volta.
Eleito em 2016 e reeleito em 2020 numa votação marcada por acusações de fraude, Touaderá é acusado de ter aprovado em 2023 uma nova Constituição que lhe permite permanecer no poder.
Parte da oposição boicotou a votação, denunciando uma "farsa" e ausência de diálogo político.
Touadéra encerrou a campanha com um comício num estádio na capital do país, Bangui, com a capacidade para 20.000 pessoas, que encheu com uma multidão mobilizada.
A campanha decorreu globalmente sem incidentes graves, com exceção da proibição imposta aos principais opositores, Anicet-Georges Dologuélé e Henri-Marie Dondra, de se deslocarem à província por avião.
Nas ruas da capital, as forças de segurança mostraram-se omnipresentes, com polícias, soldados e mercenários do grupo russo Wagner.
Embora a situação de segurança tenha melhorado desde a guerra civil dos anos 2010, continua a ser "frágil", segundo o Presidente cessante e candidato à reeleição.
De acordo com vários observadores, o exército centro-africano, apoiado pelos mercenários do grupo Wagner, repeliu de várias regiões grupos rebeldes armados que tinham perturbado as últimas eleições, no final de 2020.
Sete candidaturas à presidência foram validadas, duas das quais consideradas credíveis: a de Anicet-Georges Dologuélé, o líder da oposição, que ficou em segundo lugar nas duas últimas eleições, e é considerado o principal adversário de Touaderá, e Henri-Marie Dondra, candidato da União Republicana (UNIR), antigo primeiro-ministro num governo do atual Presidente, que passou para a oposição.
Os resultados provisórios das presidenciais são esperados para 5 de janeiro.
A Autoridade Nacional Eleitoral (ANE) afirma ter acreditado mais de 1.700 observadores nacionais e internacionais, incluindo responsáveis da União Europeia, Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e 32 da União Africana.
As eleições na República Centro-Africana encerram, juntamente com as eleições presidenciais na Guiné Conacry que se realizam também hoje, um ano rico em eleições no continente africano, marcado por um aumento do autoritarismo e da repressão, por vezes violenta, da oposição e pela manutenção de muitos líderes já no poder (nomeadamente nos Camarões, Costa do Marfim e Tanzânia) após eleições das quais os principais opositores foram excluídos.
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