
O técnico Vica e o meia Didira fizeram uma parceria de impacto no futebol alagoano na primeira década dos anos 2000. Eles se encontraram no ASA em 2009 e, juntos, foram personagens de jogos, títulos e histórias inesquecíveis em Arapiraca.
De férias em Alagoas, Vica recordou nesta semana algumas passagens do meia e disse que ele, certamente, está entre os melhores jogadores alagoanos do século, até porque fez a diferença no ASA, sendo campeoníssimo, e no CSA, participando da arrancada da Série D até a Série A.
— De quando cheguei no ASA para cá, o melhor jogador (alagoano que atuou no estado), disparado, foi Didira. O que esse cara já fez dentro de campo. Precisei do Didira uma vez de lateral-esquerdo, jogou, de volante, jogou, de lateral-direito, jogou, de meia, jogou, de atacante, jogou. É um garoto que começou lá atrás e tinha fome de bola. Como vai ser difícil trabalhar com um garoto desse? Nunca, é fácil, porque o cara queria jogar - elogiou Vica, continuando:
— Zé Roberto, ex-jogador, falou recentemente assim para os garotos lá em São Paulo: Nem sempre o talentoso vai vencer no futebol. De repente, você tem muito talento, esse aqui não tem tanto, mas esse aqui é dedicado. O dedicado vai, você não. O Didira sempre foi essa mescla, de talento e vontade, disciplina para jogar.
Vica e Didira nos tempos do ASA
Leonardo Freire
O treinador lembra que chegou a colocar o Didira de lateral-esquerdo e de ponta-direita. Ele rendeu nas duas posições, em jogos decisivos.
— Acho que foi contra o Vasco, na Copa do Brasil, precisei do Didira de lateral-esquerdo, lateral ala. Acho que foi na final contra o Corinthians-AL, precisei dele de lateral-direito, mas jogando à vontade na frente, como um ponta-direita das antigas, com liberdade para se movimentar. Se a gente dava essa liberdade, esquece. Ninguém marcava o cara. Ele fez gols importantes para a gente.
Vica contou ainda como foi a negociação de Didira para o Atlético-MG, em 2011.
— Eu me lembro bem de uma passagem do Didira quando a gente participou da transação dele com o Atlético-MG. O Cuca (técnico do time mineiro na época) me ligou e falou: Vica, preciso desse meia teu, aí, porque tenho um time aqui que vai dar problema daqui a pouco e preciso de uns garotos de Série B para reforçar o Atlético. Quando eu precisar, tenho que botar esses meninos aí porque os daqui não vão aguentar, uns caras mais experientes, ele achava que teria problema.
A saída do meia, porém, complicou o fim de Série B do ano ASA.
— Ele tirou o Didira daqui. E eu falei para a diretoria: Tem que dar um dinheirinho para o ASA, fixar o passe, dar uma grana para o Didira para ele ir para lá. Faltavam três jogos, acho, quatro, a gente fez umas contas lá, e pensei: Matematicamente, não tá livre do rebaixamento, tava na Série B. E se eu liberar o Didira e o time do ASA começar (a cair)... Mas não deu outra, foi um susto na gente.
Vica, ex-treinador do ASA
Victor Mélo
Segundo o treinador, ele ajudou Didira até a fazer o contrato. Tudo era muito novo para ele.
— Liberamos o Didira. Na época, entraram uns R$ 300 mil para o ASA, não lembro. Didira fez um contratinho bom, até ajudei lá no contrato. Ficou um tempo lá em Minas, foi uma experiência bacana para ele. Mas aqui a gente levou um susto na Série B, sem ele. Falei: Caramba, pelo amor de Deus, vamos nos livrar logo, porque, sem ele, aqui vai complicar. Mas essa passagem foi importante para a carreira dele, para enxergar o futebol de outro patamar. Atlético-MG, clube grande, trabalhar outro treinador, como o Cuca, e jogadores consagrados, conhecer a estrutura de um time grande, fora do estado, acho que isso ajudou muito o Didira.
Didira está hoje no Penedense
Divulgação/Penedense
Vica disse que não vê Didira há muito tempo, mas ficou feliz ao saber que ele está no Penedense, aos 37 anos, sendo um dos jogadores importantes para o Campeonato Alagoano de 2026.
— Grande pessoa, e um jogador completo. Didira é uma pessoa que tem que ser respeitada, ainda mais daqui, por ser da terra, tem que ser lembrada com muito carinho e respeito. E ele vai representar essa camisa do Penedense e vai dar trabalho, hein? Ele entrou em campo, esquece, vai tentar jogar da melhor maneira possível. Sempre foi assim.