Divulgação/Notícias ao Minuto"Não é Putin que decide quando e em que formato se realizam as eleições na Ucrânia", declarou Zelensky em conferência d de imprensa, na qual afastou qualquer possibilidade de realizar o processo eleitoral em territórios ocupados pelas forças russas.
O Presidente russo, que considera Zelensky um líder ilegítimo por ter excedido o período do seu mandato (situação prevista na lei marcial em vigor na Ucrânia desde a invasão de Moscovo, em fevereiro de 2022) afirmou na sexta-feira que estava disposto a garantir a segurança no país vizinho se fossem convocadas eleições presidenciais.
O líder ucraniano já disse que não se opõe à realização da votação, apesar de considerar que a guerra contra a invasão russa é prioritária, além de expressar desconfiança em relação a um compromisso de Putin, não só a propósito de uma eventual trégua como também de possível tentativa de manipulação dos resultados nas regiões controladas por Moscovo.
"Ouvi insinuações de que nos estamos a agarrar ao poder, ou que eu pessoalmente me estou a agarrar à presidência, e que é por isso que a guerra não acaba. Para ser franco, esta é uma narrativa completamente desadequada", declarou o chefe de Estado ucraniano.
Zelensky insistiu que eventuais eleições devem ser realizadas em toda a Ucrânia e sob apertadas garantias de segurança, que não existem no leste do país, parcialmente ocupado pelas forças russas.
"Não se podem realizar eleições em territórios não controlados pela Ucrânia, territórios temporariamente ocupados. Porque é óbvia forma como seriam conduzidas, como a Rússia sempre faz. Primeiro, anunciam os resultados (...) e só depois contam os votos", declarou.
O Presidente ucraniano defendeu ainda que, antes da preparação de eleições, devem ser observadas alterações legislativas durante o conflito antes de se abordar a questão da segurança.
O estado de guerra implica enormes desafios para a organização de eleições na Ucrânia, onde se estima que cerca de 20% do seu território esteja sob controlo russo, a que se adicionam milhões de ucranianos ausentes das suas residências como refugiados fora do país ou deslocados internos e ainda centenas de milhares mobilizados nas forças armadas.
As declarações do líder ucraniano surgem no dia em que estão previstos novos contactos em Miami dos enviados norte-americanos com delegações de Moscovo e de Kyiv, além de representantes europeus, sobre os termos de um eventual acordo de paz.
Pela primeira vez, poderá acontecer uma reunião conjunta com as partes, em vez dos habituais encontros separados, segundo indicou hoje Zelensky, ao anunciar uma proposta dos Estados Unidos sobre um novo formato.
O Presidente ucraniano relatou na passada semana progressos no sentido de um entendimento entre Kyiv e Washington sobre o conteúdo de um plano a propor a Moscovo, mas alertou ao mesmo tempo que a Rússia está a preparar-se para mais um ano de guerra em 2026.
A proposta original de Washington passou por várias versões, sendo que inicialmente foi acusada de corresponder às principais exigências do Kremlin, incluindo a cedência das regiões parcialmente ocupadas pela Rússia na Ucrânia, que teria também de abdicar da sua integração na NATO e dos seus planos de contingente militar.
Os detalhes do novo acordo entretanto revisto por Kyiv não são conhecidos, mas, segundo Zelensky, envolvem concessões territoriais da Ucrânia em troca de garantias de segurança ocidentais.
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