Divulgação/Notícias ao Minuto"O Hamas não se está a desarmar", afirmou o porta-voz do exército para a comunicação social estrangeira, Nadav Shoshani, durante uma conferência de imprensa virtual, segundo a agência de notícias espanhola EFE.
Questionado sobre os próximos passos do cessar-fogo, Shoshani respondeu que, antes de se poder falar sobre o futuro de Gaza, "tem de haver um processo em que todos os reféns sejam libertados ou o Hamas se desarme".
Shoshani disse que, pelo contrário, o Hamas "tenta rearmar-se, afirmar o seu domínio e aterrorizar a população de Gaza".
De acordo com o acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em vigor desde 10 de outubro, o grupo islamista deveria libertar todos os reféns vivos num prazo de 72 horas e entregar os corpos dos que morreram em cativeiro.
Dado que não era possível localizar todos os mortos nesse período, foi estabelecido um mecanismo com a ajuda da Cruz Vermelha para procurar os corpos.
O acordo, adotado sob a égide dos Estados Unidos, não estipula fases específicas da trégua.
Sobre o desarmamento, refere-se que "assim que todos os reféns forem devolvidos, os membros do Hamas que se comprometerem com a coexistência pacífica e a entregar as armas receberão amnistia".
Os que desejarem sair de Gaza "receberão passagem segura para os países recetores".
No caso dos 20 reféns vivos, o Hamas libertou-os nos primeiros dias do cessar-fogo, mas tem entregado progressivamente os 28 mortos.
O grupo alegou dificuldades na recuperação dos corpos devido à destruição do território palestiniano e ao facto de alguns se encontrarem em áreas controladas por Israel.
Neste momento, falta entregar apenas quatro corpos.
"Nem todos os reféns foram libertados", lembrou o porta-voz do exército israelita, insistindo na necessidade de concluir a primeira fase do cessar-fogo antes de se falar na seguinte.
Shoishani acusou o Hamas de ter violado o cessar-fogo em centenas de ocasiões.
Além dos corpos por entregar, mencionou a reiterada "travessia da linha amarela por parte do Hamas", referindo-se à linha de retirada do exército israelita em Gaza.
Desde que o cessar-fogo está em vigor, o exército israelita matou dezenas de pessoas que se encontravam para lá da linha, alegando tratar-se de membros das milícias do Hamas.
No entanto, foram documentados casos de mulheres e crianças assassinadas pelas tropas israelitas ao atravessarem a linha, que não está claramente demarcada em todo o percurso, segundo a EFE.
O cessar-fogo parou a guerra entre Israel e o Hamas que começou em 07 de outubro de 2023, quando o grupo que controla a Faixa de Gaza desde 2007 atacou o sul de Israel.
O ataque do Hamas causou cerca de 1.200 mortos e 251 reféns, enquanto a ofensiva israelita em Gaza provocou mais de 69.100 mortos.
Leia Também: Israel destrói túnel onde soldado Hadar Goldin foi raptado em 2014