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Bala que matou jornalista palestina partiu de local de comboio israelense

Informação é do jornal americano The New York Times repórter foi atingida durante uma cobertura na Cisjordânia no dia 11 de maio

Rastro101
Com informações do site O Tempo

20/06/2022 por Redação

Divulgação/O TempoDivulgação/O TempoUma investigação do jornal americano The New York Times indica que a bala que matou a jornalista palestino-americana Shireen Abu Akleh, atingida durante uma cobertura na Cisjordânia no dia 11 de maio, partiu da localização aproximada de um comboio militar israelense e foi disparada, provavelmente, por um soldado de uma unidade de elite do país.

A morte de Abu Akleh, 51, experiente repórter da rede Al Jazeera, gerou comoção mundial e críticas da comunidade internacional à atuação do Exército israelense na região.

Enquanto autoridades palestinas disseram que a jornalista foi morta intencionalmente por militares de Israel, uma investigação preliminar do Exército israelense concluiu não ser possível determinar inequivocamente a origem do tiroteio. O governo de Naftali Bennett afirmou que um militar pode ter atirado nela por engano, mas também sugeriu que um atirador palestino pode ter sido o responsável pelo disparo.

A reportagem do New York Times, publicada nesta segunda-feira (20), reconstitui detalhadamente o que aconteceu no momento do assassinato, com base em vídeos, depoimentos de testemunhas e uma análise das balas disparadas.

O texto diz que as evidências analisadas mostram que não havia palestinos armados perto de Abu Akleh quando ela foi baleada, o que contradiz as alegações israelenses de que, se um soldado a matou por engano, foi porque estava disparando em um atirador palestino.

Segundo o jornal americano, a investigação, que durou um mês, mostrou que 16 tiros foram disparados do local onde estava o comboio israelense em direção aos jornalistas que trabalhavam na cobertura da operação, e não cinco, como afirmou Israel.
O Times não encontrou nenhuma evidência de que a pessoa que disparou tenha reconhecido Abu Akleh ou disparado intencionalmente nela. Também não foi possível determinar se o atirador viu que ela e seus colegas usavam coletes de proteção estampados com a palavra Press (imprensa).

A investigação se soma a outras reportagens de veículos como Washington Post, CNN e Associated Press, que também haviam concluído que os indícios são de que Abu Akleh foi morta por forças israelenses.

Em 26 de maio, a Autoridade Palestina disse que sua investigação, que incluiu a autópsia e um exame forense da bala, descobriu que soldados israelenses mataram a jornalista.

Na semana passada, a Al Jazeera obteve uma imagem da bala retirada da cabeça da repórter e acusou Israel de matá-la a sangue frio. Segundo o meio de comunicação, trata-se do projétil de um fuzil M4, armamento fabricado nos EUA e utilizado pelo Exército israelense.

Israel rejeitou essas conclusões. O país pediu uma investigação conjunta e a análise da bala sob supervisão internacional, mas os líderes palestinos rejeitaram esse pedido, dizendo que não confiam em Israel para apurar o assassinato.

Na sexta-feira (17), autoridades israelenses disseram que adicionaram um investigador sênior à equipe que investiga o crime. Em comunicado anterior, os militares rejeitaram como mentira descarada a afirmação de que mataram intencionalmente a jornalista.

Eles afirmaram que uma investigação preliminar apurou que um soldado de elite não identificado disparou cinco balas na direção de Abu Akleh, acreditando que estava atirando em um palestino armado, perto dos jornalistas.

Veterana na profissão, Abu Akleh estava com um colete que a identificava como jornalista no momento de sua morte. Seu funeral foi marcado pela repressão de soldados a pessoas que carregavam o caixão, em ato que foi condenado pela comunidade internacional.

(Folhapress)

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