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Cerimônia de ação de graças em Coroa Vermelha relembra primeira missa no Brasil

Celebração foi presidida por Dom José Edson e teve a presença de representantes do governo federal, entre eles o secretário especial da Cultura

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Radar64
28/04/2022 por RADAR64

Divulgação/Radar64Divulgação/Radar64

Uma cerimônia de ação de graças celebrada terça-feira (26), em Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz Cabrália, homenageou os 522 anos da primeira missa rezada no Brasil. A celebração religiosa foi presidida pelo bispo diocesano de Eunápolis Dom José Edson e teve a presença do secretário especial da Cultura do governo federal, Hélio Ferraz de Oliveira; do prefeito Agnelo Santos; e da presidente do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN), Larissa Rodrigues Peixoto Dutra, entre outras autoridades e secretários do governo federal.


Durante a celebração, os índios Pataxó fizeram um ritual pedindo justiça pelos assassinatos de dois indígenas ocorridos nos últimos dias.


Missa foi celebrada pelo bispo Dom Edson

PRIMEIRA MISSA – A primeira missa no Brasil foi celebrada no dia 26 de abril de 1500, poucos dias depois da chegada dos portugueses na costa de Coroa Vermelha. Todos os anos, é realizada uma missa no mesmo local, mantendo a tradição que já dura mais de cinco séculos.


O prefeito Agnelo Santos comemorou o sucesso do evento, que não pode ser realizado de forma presencial durante a pandemia da covid. “Depois da pandemia, estamos aqui celebrando essa missa ao lado de vários convidados, de moradores e do povo Pataxó, que estava aqui quando ocorreu a primeira no Brasil”, disse o prefeito.


Prefeito de Cabrália, Agnelo Santos

Segundo Agnelo, Coroa Vermelha é um lugar especial não só para a Bahia, mas para todo Brasil. “Coroa é um local abençoado, foi onde os portugueses chegaram em 1500 e onde foi celebrada a primeira missa pelo frei Henrique de Coimbra”, destacou, acrescentando que, neste ano, uma equipe do governo federal “veio para ver de perto a importância e a magia dessa réplica da primeira missa”.


PRESENÇA INDÍGENA – Assim como há 522 anos, a missa celebrada terça-feira teve a presença de indígenas Pataxó. Apesar de terem sua própria tradição, costumes e cultura, os indígenas respeitam todas as religiões, garante Juari Pataxó, liderança da Costa do Descobrimento. Nas aldeias, cada um segue a religião que quiser. “Hoje lidamos com várias religiões nas aldeias, e todas são todas respeitadas. Deixamos livre para que cada um siga a sua”, afirmou.


índios pataxó realizaram ritural durante a missa

Segundo Juari, a primeira missa realizada em Coroa Vermelha foi um momento importante porque marcou o encontro entre os portugueses e os povos indígenas que aqui já viviam. Para ele, a tradição de relembrar esse evento que marcou a Igreja Católica e o Brasil também serve para contar a história do povo indígena. “Isso mostra um respeito aos povos indígenas, os primeiros habitantes do Brasil”, enfatizou.


Perguntado sobre a condição de vida dos indígenas brasileiros mais de 500 anos depois da chegada dos portugueses, Juari resumiu em uma palavra: resistência.


BICENTENÁRIO DA INDEPENDÊNCIA – A missa de ação de graças deste ano fez parte da agenda do Bicentenário da Independência do Brasil, realizada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, juntamente com o Ministério da Cidadania.


Secretário Nacional da Cultura, Hélio Ferraz

“Incluímos esse evento na agenda federal pela importância da data e pela retomada das atividades pós pandemia. Sabíamos que há dois anos não acontecia essa celebração de forma presencial, e entendemos como sendo essencial a participação do governo federal nesse momento”, explicou secretário especial da Cultura, Hélio Ferraz de Oliveira.


Ao destacar a importância da Costa do Descobrimento no cenário cultural e histórico brasileiro, o secretário disse que a chegada dos portugueses em Coroa Vermelha levou à independência do Brasil, 300 anos depois. “Foi aqui que tudo começou, onde foram dados os primeiros passos que culminaram na nossa independência, que agora completa o bicentenário”, observou.


PLANOS PARA O SETOR CULTURAL – Hélio assumiu a pasta da Cultura no início de abril, depois que Mário Frias foi exonerado do cargo para concorrer a deputado federal nas eleições deste ano. Ele assume em um momento de aquecimento dos setores cultural e turístico. “Depois da pandemia, onde houve uma grande retração do mercado cultural e turístico, entendemos que agora é o grande momento da retomada das atividades dos mercados cultural e turístico. Nosso objetivo é incentivar o pequeno produtor cultural, para que tenha condições de retomar suas atividades”, comentou.


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