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Ex-líder antivacina se converte e adere à imunização contra a Covid na Itália

Médico italiano Pasquale Bacco mudou o posicionamento após ver um jovem de 29 anos morrer por Covid

Rastro101
Com informações do site O Tempo

14/02/2022 por Redação

Divulgação/O TempoDivulgação/O TempoDurante dois anos, o médico italiano Pasquale Bacco, que está com sua licença suspensa por seis meses, foi um opositor fervoroso das vacinas contra a Covid-19. Isso até ver um jovem de 29 anos, que tinha vídeos seus nas manifestações antivacina em seu celular, morrer devido a uma infecção por coronavírus.

Sinto que essa morte foi culpa minha, confessa Bacco, hoje imunizado, ao jornal italiano Corriere della Sera. Para mim, não era uma crença. Quando vi a realidade com meus próprios olhos, me dei conta que estava equivocado.

Em entrevista ao veículo, o ex-líder antivacina mostra a linha de pensamento daqueles que se opõem aos imunizantes e expõe o sistema –inclusive financeiro – que orbita essas pessoas.

Na Itália, 83,7% já tomaram ao menos uma dose da vacina contra a Covid, 77,6% estão com esquema completo, e 59,8% já receberam a dose de reforço, segundo o Our World in Data. Uma pesquisa do instituto Ipsos publicada no fim de janeiro mostra que, entre os entrevistados que não receberam nenhuma injeção (8,5% da amostra), 48% dizem ter certeza que não serão vacinados e 38% se declaram convencidos de ter que se opor a todo custo.

Era a essas pessoas que Bacco se dirigia nas centenas de reuniões e protestos que conta ter participado. Íamos às praças e, quando falávamos, sabíamos que as pessoas queriam ouvir coisas fortes, lembra. Eu fui um dos primeiros, era o único médico jovem com experiência. O que eu dizia era ouro puro para pessoas que têm medo e buscam certezas.

Mesmo tendo formação na área, o médico diz não ter se dado conta da perda da racionalidade, já que os estudos mostram a eficácia dos imunizantes. Perde-se a cabeça mesmo sendo uma pessoa racional. Neste momento acontece um processo muito perigoso, que ir contra as vacinas é uma fé e você se converte em deus.

Dentro dessa irracionalidade, Bacco lembra a última vez que subiu ao palco, quando já estava em crise, e disse a 15 mil pessoas que as vacinas imunizam, que não era possível continuar dizendo o contrário. Mas as pessoas estavam exultantes, me aplaudiam do mesmo jeito, conta. Ainda que tenha dito o contrário do que pensavam, não escutavam.

Agora convertido em alguém que crê nos imunizantes, ele também acredita que quem subiu nesses palcos têm algumas mortes na consciência. Fomos grandes covardes todos os antivacinas.

Mais do que discursos, porém, Bacco relata existir uma economia por trás do movimento. Quando estava em evidência, ele conta que seus pacientes particulares se multiplicaram e que, assim como ele, existem muitos profissionais. Um exemplo que cita é de um advogado que entrou com oito ações coletivas e se tornou milionário com o medo dos antivacinas.

O médico fala ainda de sites e fundações, além de restaurantes, engenheiros e professores como parte de um mundo de provedores antivacinas dispostos a receber clientes antivacinas.

Após ter deixado esse sistema de certo modo lucrativo para trás, Bacco diz tentar remediar seus erros e pedir desculpas, apesar de admitir que esse pedido é inútil. Também não apelou de sua suspensão para exercer medicina porque aceita o erro cometido. Ser antivacina pode ser um negócio e a oportunidade converte um homem em um ladrão.

Link curto: https://bit.ly/3Lv4Q4h

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