Geral

Distúrbios no Cazaquistão abalam os preços do petróleo

Crise no país, que é membro da OPEP+, faz que investidores tenham receio de problemas de abastecimento

Rastro101
Com informações do site O Tempo

09/01/2022 por Redação

Divulgação/O TempoDivulgação/O TempoOs distúrbios no Cazaquistão, membro da OPEP+, abalam os preços do petróleo, já que os investidores temem problemas de abastecimento, mas o mercado do urânio segue intacto até o momento, do qual o país da Ásia central é o segundo produtor mundial.

Os distúrbios representam claramente um risco no abastecimento do mercado mundial do petróleo, afirma à AFP Bjarne Schieldrop, analista da Seb.

Durante a semana, os preços do petróleo subiram cerca de 5% e na sexta-feira o Brent superou os 83 dólares por barril, seu nível mais alto desde a queda dos preços causada pelo surgimento da variante ômicron no final de novembro, segundo Carsten Fritsch, analista da Commerzbank.

Os protestos começaram no último domingo nas províncias, após um aumento do preço do gás, e se espalharam para outras ciudades, principalmente para a capital econômica Almaty, onde as manifestações se transformaram em distúrbios violentos.

Na sexta-feira, o presidente Kassym Jomart Tokayev descartou negociar com os manifestantes.

A curto prazo
O país é o maior produtor de petróleo da Ásia central, com as 12 reservas comprovadas de petróleo do mundo, segundo a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA). O Cazaquistão produzia 1,8 milhão de barris diários em 2020.

É também o segundo produtor de petróleo dos países sócios da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), reunidos na chamada OPEP+, atrás da Rússia. 

O ouro negro representava 21% do PIB cazaque em 2020, segundo o Banco Mundial.

A produção de Tengizchevroil, a maior empresa de petróleo do Cazaquistão, foi ajustada temporariamente devido aos protestos no campo de Tengiz, afirmou Stephen Brennock, da PVM Energy.

No entanto, para muitos analistas nada indica que a produção de petróleo cazaque será afetada significativamente. Na sexta-feira, a produção nos três principais campos do país continuava, explicou Brennock.

Os distúrbios no Cazaquistão aumentam a curto prazo, destacou Neil Wilson, analista do Markets.com.

Prova disso, no fechamento de sexta-feira os preços do petróleo caíram um pouco: o Brent caía 0,28% até 81,76 dólares às 16h30 e o WTI 0,54%, até 79,03 dólares.

Urânio intacto
Cazaquistão, o nono maior país do mundo, conta com grandes quantidades de manganês, ferro, cromo e carvão. 

Também possui as segundas reservas de urânio identificadas no mundo, segundo o relatório anual de matérias-primas Cyclope. Fornecedor de usinas atômicas francesas, gera 40% da produção mundial, segundo dados do CRU Consulting.

Para Toktar Turbay, analista da CRU Consulting, a crise atual poderia representar um pequeno incômodo no abastecimento, já que a China acumulou urânio suficiente para satisfazer suas necessidades em caso de problemas a curto prazo.

Há minas de urânio em regiões remotas do oblast (província) do Turquestão, muito distantes das manifestações e distúrbios atuais no país, explica.

Mas alerta que mais da metade das exportações de urânio cazaque está destinada à China. Pode haver obstáculos logísticos para a entrega de produtos nas fronteiras, já que os principais itinerários passam pela região de Almaty, onde acontecem os principais confrontos.

Link curto: https://bit.ly/3zDE8Ro

TÓPICOS:
Mercado E Política

COMPARTILHAR

PUBLICIDADE

MAIS NOTÍCIAS DO RASTRO101
menu